Flávio Benelli
Formado em Direito pela Puc-Campinas, pós-graduado em Jornalismo. Criador e administrador do perfil @lets.gorock no Instagram. Sempre fui apaixonado pelo Rock. Escrever sobre música é minha forma de compartilhar a energia e a emoção que o rock me proporciona, enquanto mergulho nas histórias fascinantes por trás das músicas e dos artistas que moldaram esse universo. Junte-se a mim nessa jornada onde cada riff é uma história e cada batida é uma experiência inesquecível.

Às 15h20 do último dia 26 de abril, o Memorial da América Latina tornou-se um túnel do tempo direto para a década de 80. Enquanto o line-up do dia, no palco Sun, se desenhava com os piratas sinfônicos do Visions of Atlantis e a densidade emocional de Roy Khan, o Crazy Lixx surgiu com uma proposta diferente: o resgate sem filtros do Hard Rock oitentista.

O visual da banda é um simulacro meticuloso dos anos oitenta. Figurinos que remetem ao auge do Sunset Strip e um backdrop minimalista — o nome do grupo em amarelo vibrante emoldurado por raios — deixam claro a proposta da banda. Em um festival que culminaria com o peso moderno do Within Temptation e a histórica reunião do Angra, o Crazy Lixx ocupou o espaço do entretenimento puro, ancorado em uma herança que une o polimento do Def Leppard à crueza de nomes como Mötley Crüe e, claro, a um dos maiores representantes do gênero: o Kiss.
O repertório foi uma demonstração de como a cena sueca refinou a fórmula dos refrões feitos para grudar na mente. Músicas como “Rise Above” e “Hell Raising Women” funcionam como hinos de uma época que se recusa a morrer, executados por músicos que entendem que o gênero exige tanto rigor técnico quanto atitude.

A sequência com “Whiskey Tango Foxtrot” e “Sword and Stone” revelou uma plateia surpreendentemente diversificada. É notável que, embora o estilo seja um revival, o público não era composto apenas por veteranos, mas por uma nova geração que parece encontrar nessas melodias uma necessidade que o Rock/Metal mais denso por vezes negligencia.
A recepção entusiasmada a faixas como “Blame It on Love” e o encerramento com “Who Said Rock ’n’ Roll Is Dead” provou que há demanda para o brilho e a melodia em meio ao peso.
O Crazy fez uma entrega impecável, e como grande fã do gênero, senti falta de mais bandas de Hard Rock no festival. Fica a expectativa para que, na edição de 2027, o evento, já consolidado, traga mais nomes desse estilo. Eles entregaram exatamente o que o gênero precisa para se manter relevante: convicção inabalável e um estoque inesgotável de ganchos pop travestidos de rebeldia.
A banda provou que, quando a nostalgia é executada com competência técnica, ela deixa de ser um eco do passado para se tornar a trilha sonora vibrante de um presente que ainda sabe como se divertir.
Setlist Crazy Lixx no Bangers Open Air 2026:
1. Final Fury
2. Rise Above
3. Hell Raising Women
4. Whiskey Tango Foxtrot
5. Sword and Stone
6. Never Die (Forever Wild)
7. Hunt for Danger
8. XIII
9. Midnight Rebels
10. Anthem for America
11. Blame It on Love
12. Who Said Rock ’n’ Roll Is Dead
