Amanda Basso
Oi, sou Amanda Basso, jornalista formada pela Universidade Anhembi Morumbi, viajante por natureza, amo contar histórias - mesmo as que eu não deveria contar… Somei a paixão por criar, ao fanatismo por uma certa Donzela de Ferro e fiz o Maiden Chest, podcast focado na história e bootlegs do Iron Maiden, ah, coleciono material deles também! Escrevo pro Headbangers Brasil, Confere Rock e agora aqui… Mãe da Charlotte e da Natalinha, uma gata e uma pombinha que mandam na minha vida!

O que fazer em São Paulo na hora do almoço? No sábado, 25 de abril, assistir a um impecável show de metal progressivo. Evergrey, banda natural de Gotemburgo, abriu o Hot Stage às 13h, exatamente. Muito sol, muita vontade de assistir a tudo… esse era o cenário presente no Memorial da América Latina.

Tudo com eles é denso e dramático, faz você sentir todas as suas emoções à flor da pele. E a escolha cirúrgica do setlist, que abriu com Falling From the Sun, não seria diferente. A plateia estava atônita; não era um show para bater cabeça, ou pular, mas para exorcizar, tirar o que há de ruim no peito e gritar! Os fãs se comportavam como fiéis em um ritual, gritando o refrão com o olhar marejado, mirando o céu…
O show é técnico e milimetricamente combinado, mas sem a sensação robótica. A banda fluía de forma orgânica, com a alegria de quem faz o que ama e consegue passar a mensagem necessária. Tanto a abertura quanto as duas músicas seguintes, Where August Mourn e Weightless, estavam mais baixas que o normal, além de ser o primeiro do dia a ter o som 100% regulado. Mesmo com o aumento considerável de volume a partir de The World is on Fire, nada estava estourando ou distorcido, ao contrário do restante dos shows principais do dia. Ponto positivo para os engenheiros de som!

O baterista Simen Sanders, que substituiu o lendário Jonas Ekdhal em 2024, se torna o destaque central em Eternal Nocturnal, onde sua técnica se torna evidente e o peso de seu kick somado a voz cortante de Tom Englund, trazem o lamento dilacerante de quem não enxerga a luz no fim do túnel.
Tom conversa com a plateia de forma muito simpática, e até ensaia um “tudo bem, São Paulo?”, fazendo o público gritar até o último decibel possível. Ele agradece por mais um espetáculo em São Paulo (a banda havia feito o seu side show no Manifesto em 22 de abril, junto com a banda Silver Dust) e por todo o carinho recebido de seus fãs. Depois dessa última fala, o show se encaminha para o final: a intro de Architects of the New Weave começa.
OXYGEN! vem para amarrar o set e encerrar com o peso de quem precisa sobreviver ao novo caos! Ao fim do show, Tom Englund, Stephen Plaat, Johann Niemann, Rickard Zander e Simen Sanders saíram de seus postos para, coordenadamente, agradecerem ao público.
Uma curiosidade dessa banda é a montagem de seu palco: baterista e tecladista tocam um de frente para o outro, como numa sala de ensaios, é como se um regesse o outro, numa sinfonia perfeita.
Evergrey trouxe sentimento, peso, melancolia e uma busca pela perfeição que corre na veia de todo ser humano. Assistir ao show desses suecos foi como perceber a história sendo criada.
Setlist Evergrey no Bangers Open Air 2026:
Falling From the Sun
Where August Mourn
Weightless
The World Is on Fire
Eternal Nocturnal
Call Out the Dark
King of Errors
Architects of the New Weave
Leaving the Emptiness
OXYGEN!
