Smith/Kotzen no BOA: O DNA de New Orleans no festival

Amanda Basso

Oi, sou Amanda Basso, jornalista formada pela Universidade Anhembi Morumbi, viajante por natureza, amo contar histórias - mesmo as que eu não deveria contar… Somei a paixão por criar, ao fanatismo por uma certa Donzela de Ferro e fiz o Maiden Chest, podcast focado na história e bootlegs do Iron Maiden, ah, coleciono material deles também! Escrevo pro Headbangers Brasil, Confere Rock e agora aqui… Mãe da Charlotte e da Natalinha, uma gata e uma pombinha que mandam na minha vida!

| Foto: @guiurban – MHermesArts |

No domingo, às 17:25, Adrian Smith e Richie Kotzen, junto com Julia Lage e Bruno Valverde subiram ao Hot Stage para trazer o melhor da moderna New Orleans para a abafada tarde. 

Um blues que beira o pop, um hard rock moderno, mas sem aquela fórmula de guitarra distorcida e pedal overdrive na voz, como fazem hoje. A voz é curtida por Bourbon, aquela que canta as marcas da vida e os amores que passaram; que cantam as chances de recomeço e as luzes que piscam na cidade noturna. É isso que o projeto Smith-Kotzen trouxe para o festival.

Óbvio que a plateia estava lotada de camisas do Iron Maiden, afinal, as seis cordas mais aclamadas da Donzela estavam ali. E os súditos vão onde o Rei estiver. Mas se você tem alguma dúvida sobre as referências de hard rock que Adrian Smith utiliza, busque pelas parcerias dele com a banda FM, ou ainda o projeto solo pós – Maiden, Untouchables; ali você vai encontrar a raiz do que ele faz atualmente.

| Foto: Marcos Hermes – MHermesArts |

A devoção é tão grande, que enquanto o palco estava sendo montado, havia um fã gritando “apenas” por ver a Jackson Esmeralda do guitarrista sendo testada. Esse é o “fator Iron Maiden”.

O setlist foi perfeito, percorreu os sucessos dos 3 discos da banda e fez a plateia se animar e ensaiar alguns versos cantados. Com certeza Taking My Chances foi a mais voiceferada – single tocado à exaustão nas rádios especializadas, faixa mega executada no Spotify, com cerca de dois milhões e seiscentas mil execuções, segunda mais reproduzida da banda, perdendo somente para Scars, que também esteve presente no set, para delírio geral dos fãs.

| Foto: Marcos Hermes – MHermesArts |

Bruno Valverde estava em dia de jornada dupla de trabalho, pois encerraria esse domingo com a reunião do Angra; Ritchie tem uma base forte de fãs e admiradores do seu modo de tocar; Adrian não precisa de apresentação, só o “Boa tarde São Paulo!” já foi o suficiente para arrancar gritos e lágrimas de todos. Emendando com a piada “tenho dois brasileiros na banda, mas não aprendi a falar mais que isso em português”… Mas a grande sensação e destaque positivo do palco ficou com a baixista Julia Lage, membro atual do lendário grupo feminino Vixen, além de esposa de Kotzen. Julia corria o palco, dançava, jogava o cabelo, sem perder uma nota sequer: precisa, rápida, com groove, aquela em que a música apenas sai das veias e passa para o instrumento. Mas, embora ela se evidencie tanto assim, em nenhum momento ela fica à frente dos protagonistas. Enquanto Ritchie e Adrian solavam na passarela, Lage fazia seu balé no palco, interagia com Bruno… ela realmente toma conta do espaço em que pisa.

Por algum motivo não revelado, a banda subiu ao Hot Stage com 10 minutos de atraso, o que custou You Can’t Save Me, sucesso da carreira solo de Kotzen, que é tocada no começo do bis, pulando direto para Wasted Years.

| Foto: Marcos Hermes – MHermesArts |

Mas o que dizer sobre Wasted Years? Sem ficha técnica, apenas o que foi presenciado nesse show apoteótico: ver uma linha diferente dessa música foi como ouvi-la pela primeira vez. E você sabe o que é redescobrir a sua música favorita aos quase 40 anos? É como reaprender a viver! Ela te diz a mesma coisa, mas de forma diferente; é quando seus dois melhores amigos te dão o mesmo conselho, mas cada um à sua maneira. Ao olhar para os lados, percebi que haviam pessoas experientes, pessoas que tinham a minha idade em shows assistidos, chorando. Porque é isso que a música faz com você: ela te leva para lugares inimagináveis. Ela te mostra o sobrenatural, ela te arrepia sem te tocar; ela te faz chorar e sorrir ao mesmo tempo. Ela te faz agradecer por estar torrando no sol por dois dias, apenas para estar viva durante aquele momento. Isso é música. Isso é Wasted Years!

Setlist Smith/Kotzen no Bangers Open Air 2026:

Life Unchained

Black Light

Wraith

Blindsided

Taking My Chances

Darkside

Got a Hold on Me

White Noise

Scars

Running

Wasted Years (Iron Maiden cover)

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  • Oi, sou Amanda Basso, jornalista formada pela Universidade Anhembi Morumbi, viajante por natureza, amo contar histórias - mesmo as que eu não deveria contar… Somei a paixão por criar, ao fanatismo por uma certa Donzela de Ferro e fiz o Maiden Chest, podcast focado na história e bootlegs do Iron Maiden, ah, coleciono material deles também! Escrevo pro Headbangers Brasil, Confere Rock e agora aqui… Mãe da Charlotte e da Natalinha, uma gata e uma pombinha que mandam na minha vida!

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