Megadeth faz show de despedida sem excessos em São Paulo; mas será um adeus?

Flávio Benelli

Formado em Direito pela Puc-Campinas, pós-graduado em Jornalismo. Criador e administrador do perfil @lets.gorock no Instagram. Sempre fui apaixonado pelo Rock. Escrever sobre música é minha forma de compartilhar a energia e a emoção que o rock me proporciona, enquanto mergulho nas histórias fascinantes por trás das músicas e dos artistas que moldaram esse universo. Junte-se a mim nessa jornada onde cada riff é uma história e cada batida é uma experiência inesquecível.

Crédito: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

A ideia de “turnê de despedida” nunca pareceu tão provisória. Dave Mustaine tem tratado o fim do Megadeth como um conceito elástico — algo que pode se arrastar por anos, dependendo do humor e da saúde do próprio criador. Em meio a esse cenário ambíguo, o show único em São Paulo funcionou menos como um adeus definitivo e mais como um fechamento de capítulo, reforçado inclusive pelo recente álbum autointitulado, já apelidado por fãs de “álbum branco”, que revisita e reorganiza a própria mitologia da banda.

Do lado de fora, o retrato clássico de uma noite grande: expectativa alta e fila extensa — mas que, na prática, fluiu com eficiência assim que os portões abriram. Lá dentro, sold out e um público disposto a reagir a cada riff com a intensidade que uma banda icônica como o Megadeth merece.

Crédito: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

No palco, a proposta foi quase austera. Sem nada extravagante, sem cenografia inflada — apenas o logo da banda e uma iluminação que variava de cor a cada música, criando atmosferas distintas sem roubar atenção do essencial. E esse essencial era claro: execução. O show foi direto, com pouquíssimas interações, focado na música, que é o que interessa afinal.

O setlist funcionou como um recorte consciente da discografia. A abertura com “Tipping Point” já apontava para esse equilíbrio entre presente e passado, enquanto “The Conjuring”, “Hangar 18” e “Wake Up Dead” reforçavam o peso técnico que sempre definiu muito bem a banda. Mustaine se manteve firme na condução — menos performático, mais cirúrgico.

A virada emocional da noite veio com “Symphony of Destruction”. O coro espontâneo, mas característico dos shows da banda, de “Megadeth, Megadeth” acompanhando os riffs não foi apenas alto — foi orgânico, quase tribal, mas com certeza um dos momentos mais empolgantes da noite. A partir dali, o show ganhou outra camada, mais envolvente e partiu para sua reta final.

Crédito: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

O ponto mais simbólico chegou com a execução do cover do Metallica, “Ride the Lightning”. A escolha não é casual. Regravada e lançada no novo disco, a faixa foi apresentada como um gesto de encerramento de ciclo, de acordo com declarações recentes do próprio Dave. Com certeza, histórico! Mustaine não só tocou como viu o público cantar cada refrão, num momento que dissolve, ao menos ali, uma das rivalidades mais duradouras do metal. Metallica x Megadeth!!

A mensagem implícita era clara: a guerra ficou no passado, pelo menos naquele momento! Se os fãs vão continuar com longas discussões sobre qual é a melhor banda, é outra história.

Na sequência, “Peace Sells”, trouxe um dos momentos mais teatrais da noite, com dois mascotes Vic Rattlehead invadindo o palco, quebrando a sobriedade dominante com uma dose de iconografia clássica.

Já “Holy Wars… The Punishment Due” encerrou o set com um solo matador — técnico, afiado, sem espaço para erro ou indulgência.

No fim, o Megadeth entregou um show que recusa exageros e aposta na própria fundação — riffs, técnica, repertório. Sem nostalgia fácil, sem espetáculo inflado, mas também sem concessões.

Se é despedida ou não, pouco importa agora. O que ficou no Espaço Unimed foi o retrato de uma banda que escolheu sair — ou fingir sair — do jeito que sempre existiu: afiada, controlada e absolutamente consciente do próprio peso na história.

Crédito: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

Setlist Megadeth em São Paulo no Espaço Unimed:

1. Tipping Point

2. The Conjuring

3. Hangar 18

4. She-Wolf

5. Sweating Bullets

6. I Don’t Care

7. Dread and the Fugitive Mind

8. Wake Up Dead

9. In My Darkest Hour

10. Hook in Mouth

11. Let There Be Shred

12. Symphony of Destruction

13. Tornado of Souls

14. Mechanix

15. Ride the Lightning (Metallica)

16. Peace Sells

17. Holy Wars… The Punishment Due

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  • Formado em Direito pela Puc-Campinas, pós-graduado em Jornalismo. Criador e administrador do perfil @lets.gorock no Instagram. Sempre fui apaixonado pelo Rock. Escrever sobre música é minha forma de compartilhar a energia e a emoção que o rock me proporciona, enquanto mergulho nas histórias fascinantes por trás das músicas e dos artistas que moldaram esse universo. Junte-se a mim nessa jornada onde cada riff é uma história e cada batida é uma experiência inesquecível.

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