Winger equilibra técnica e nostalgia no Bangers Open Air e prova que ainda há relevância além do passado

Flávio Benelli

Formado em Direito pela Puc-Campinas, pós-graduado em Jornalismo. Criador e administrador do perfil @lets.gorock no Instagram. Sempre fui apaixonado pelo Rock. Escrever sobre música é minha forma de compartilhar a energia e a emoção que o rock me proporciona, enquanto mergulho nas histórias fascinantes por trás das músicas e dos artistas que moldaram esse universo. Junte-se a mim nessa jornada onde cada riff é uma história e cada batida é uma experiência inesquecível.

Foto: Diego Padilha – MHermesArts

Às 16h05 do dia 26 de abril, no Ice Stage do Bangers Open Air, o Winger ocupou um espaço curioso na programação: entre o peso mais extremo que dominava o festival e a expectativa por nomes como Smith/Kotzen, Within Temptation e o aguardado Angra Reunion, cabia à banda equilibrar técnica, melodia e apelo popular sem soar deslocada. E conseguiu — com ressalvas que tornam a análise mais interessante do que simplesmente elogiosa.

Em um momento de carreira marcado pela valorização de sua fase mais madura — especialmente após o elogiado Seven —, o Winger parece finalmente confortável em não ser apenas um relicário dos anos 80/90. A escolha de abrir com “Stick the Knife In and Twist” não foi casual: há ali uma intenção clara de reafirmar relevância contemporânea. O som veio encorpado, moderno, com peso suficiente para dialogar com o ambiente do festival, ainda que sem disputar território com o metal mais agressivo do lineup.


Foto: Diego Padilha – MHermesArts

Kip Winger segue sendo o eixo de tudo. Sua performance vocal impressiona não pela potência bruta, mas pelo controle — especialmente considerando as condições pouco amigáveis do clima quente e ar seco paulistano.

Reb Beach, por sua vez, transforma qualquer suspeita de acomodação em irrelevante: sua execução é precisa, veloz e, mais importante, musical. O solo que leva seu nome no set não soa como preenchimento, mas como afirmação de identidade.


Foto: Diego Padilha – MHermesArts

O setlist, estruturado como uma ponte entre eras, funcionou bem na maior parte do tempo. “Seventeen” ainda provoca reação imediata, quase instintiva, enquanto “Can’t Get Enuff” e “Down Incognito” mantêm o groove característico da banda — aquele balanço que flerta com o hard rock mais acessível sem cair na superficialidade. Há, no entanto, um leve descompasso em alguns momentos, como se a transição entre o Winger mais pop e o mais progressivo exigisse um ajuste fino que nem sempre acontece ao vivo.

É nas baladas que o show encontra seu ponto mais delicado — e também mais eficaz. “Miles Away” transforma o espaço aberto em um coro coletivo, enquanto “Rainbow in the Rose” expande o espectro sonoro com arranjos mais densos, quase progressivos. Não chega a ser um contraste abrupto com o restante do festival, mas funciona como um respiro necessário.

A reta final, com “Headed for a Heartbreak”, “Easy Come Easy Go” e “Madalaine”, reforça o vínculo com a base fiel de fãs, ao mesmo tempo em que evidencia o principal dilema da banda: como equilibrar legado e reinvenção sem pender demais para um dos lados. Aqui, o Winger opta por não resolver completamente essa equação — e talvez resida aí parte do seu charme atual.


Foto: Diego Padilha – MHermesArts

Em um festival dominado por extremos, o Winger entregou um show que não tenta competir em brutalidade, mas em refinamento — e prova que, mesmo fora do epicentro do metal contemporâneo, ainda há espaço para quem sabe transformar técnica em narrativa.

Setlist Winger no Bangers Open Air 2026:

1. Stick the Knife In and Twist

2. Seventeen

3. Can’t Get Enuff

4. Down Incognito

5. Miles Away

6. Rainbow in the Rose

7. Guitar Solo (Reb Beach)

8. Time to Surrender

9. Drum Solo

10. Headed for a Heartbreak

11. Easy Come Easy Go

12. Madalaine

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  • Formado em Direito pela Puc-Campinas, pós-graduado em Jornalismo. Criador e administrador do perfil @lets.gorock no Instagram. Sempre fui apaixonado pelo Rock. Escrever sobre música é minha forma de compartilhar a energia e a emoção que o rock me proporciona, enquanto mergulho nas histórias fascinantes por trás das músicas e dos artistas que moldaram esse universo. Junte-se a mim nessa jornada onde cada riff é uma história e cada batida é uma experiência inesquecível.

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