Flávio Benelli
Formado em Direito pela Puc-Campinas, pós-graduado em Jornalismo. Criador e administrador do perfil @lets.gorock no Instagram. Sempre fui apaixonado pelo Rock. Escrever sobre música é minha forma de compartilhar a energia e a emoção que o rock me proporciona, enquanto mergulho nas histórias fascinantes por trás das músicas e dos artistas que moldaram esse universo. Junte-se a mim nessa jornada onde cada riff é uma história e cada batida é uma experiência inesquecível.

O sol do meio-dia não perdoava — e talvez tenha sido justamente isso que tornou o cenário tão curioso. Enquanto muitos ainda tentavam negociar com o próprio cansaço do segundo dia de festival, uma multidão já se espremia diante do palco Sun como se fosse horário nobre. Camisetas encharcadas, copos cheios e bandanas improvisadas como escudos térmicos. Havia algo de teimoso — e até admirável — naquele público que se recusava a tratar o primeiro show do domingo como aquecimento.
Pontualmente às 12h, o Vision of Atlantis entrou em cena como quem sabe exatamente o papel que precisa cumprir: não apenas abrir o dia naquele palco, mas justificar a presença de quem chegou cedo. E conseguiu. “Master the Hurricane” já veio como um statement, com graves que não só se ouviam, mas se sentiam no peito — uma escolha inteligente para capturar atenção de um público ainda em modo de sobrevivência.
A estética pirata, que poderia facilmente escorregar para o caricatural, foi levada com convicção. Os figurinos elaborados e as encenações de combate entre os integrantes funcionaram mais como extensão narrativa do som do que como distração. Havia teatralidade, mas também precisão. Em “Monsters” e “Clocks”, a banda mostrou controle dinâmico, equilibrando peso e melodia sem soar protocolar.
Clémentine Delauney foi o eixo de tudo isso. Sua performance vocal manteve consistência mesmo sob um sol impiedoso, e sua presença de palco nunca precisou de exageros para se impor.
Mais tarde, já fora do palco, sua aparição no pit durante o show do Within Temptation — interagindo e tirando fotos com fãs na grade — reforçou uma conexão que não se limita ao momento performático.
O setlist foi direto e eficiente. “Legion of the Seas” e “Heroes of the Dawn” sustentaram o clima épico sem diluir intensidade, enquanto “Hellfire” trouxe um peso mais incisivo que ajudou a evitar qualquer monotonia. Quando “Pirates Will Return” apareceu, já não havia mais dúvida: o público estava completamente ganho. E isso às 12h30 de um domingo.

O encerramento com “Armada” e “Melancholy Angel” consolidou o que já estava evidente — não se tratava apenas de um bom show de abertura, mas de uma afirmação de espaço. Em um dia que ainda prometia nomes como Angra Reunion, Within Temptation e Smith/Kotzen, o Vision of Atlantis não apenas “abriu os trabalhos”: elevou o padrão do que viria depois.

Setlist Vision of Atlantis no Bangers Open Air 2026 :
1. Master the Hurricane
2. Monsters
3. Clocks
4. Tonight I’m Alive
5. Legion of the Seas
6. Heroes of the Dawn
7. Hellfire
8. Pirates Will Return
9. Armada
10. Melancholy Angel
