Lucifer transforma o sol do meio-dia em ritual sombrio e entrega estética setentista no Bangers Open Air

Flávio Benelli

Formado em Direito pela Puc-Campinas, pós-graduado em Jornalismo. Criador e administrador do perfil @lets.gorock no Instagram. Sempre fui apaixonado pelo Rock. Escrever sobre música é minha forma de compartilhar a energia e a emoção que o rock me proporciona, enquanto mergulho nas histórias fascinantes por trás das músicas e dos artistas que moldaram esse universo. Junte-se a mim nessa jornada onde cada riff é uma história e cada batida é uma experiência inesquecível.

Foto: Marcos Hermes _MHermes

Pouco antes do meio-dia, o público ainda se acomodava sob um sol pouco convidativo no Memorial da América Latina. Mesmo assim, havia uma curiosidade evidente no ar. Não era só mais uma banda abrindo palco — havia expectativa real em torno do Lucifer. E, considerando o line-up do dia, com nomes como Jinjer, Black Label Society, Arch Enemy e In Flames ainda por vir, a missão de iniciar os trabalhos do SUN STAGE não era exatamente confortável.

Vestidos inteiramente de preto, sem firulas ou excessos visuais, o grupo apostou desde o primeiro segundo em uma estética direta: hard rock setentista filtrado por uma lente ocultista. “Anubis” abriu o set como um ritual — menos explosiva do que calculada, estabelecendo o tom de um show que preferiu construir atmosfera ao invés de correr atrás de impacto imediato.

A vocalista, Johanna Sadonis, única constante na história da banda, domina o palco com uma presença que não depende de movimento. Há algo de deliberadamente contido ali — quase teatral e com um efeito hipnótico — que combina com a proposta sonora.

Foto: Marcos Hermes _MHermes
O palco exibia um simples letreiro com o nome da banda. Nada grandioso, mas funcional.

Musicalmente, o Lucifer entrega exatamente o que promete: riffs simples, pesados, com aquela sujeira clássica dos anos 70, sem cair na caricatura. “Riding Reaper” e “Lucifer” soaram particularmente sólidas, com uma banda de apoio que, apesar de não ter a mesma estabilidade de formação ao longo dos anos, mostrou química e precisão suficientes para sustentar o conceito.

Foto: Marcos Hermes _MHermes

Entre as músicas, a vocalista interagiu com o público de forma curiosa: misturando mistério com provocações mais picantes que flertavam com um humor mais juvenil, quase quinta série — algo ligeiramente deslocado, mas que, ao mesmo tempo, humanizava a enigmática Johanna.

Um dos momentos mais interessantes veio com o cover de “Goin’ Blind”, do Kiss, reinterpretado de forma mais sombria e arrastada. Estética alinhada com a identidade do Lucifer.

Dentro da discografia da banda, o setlist funcionou com hits que reforçam o DNA do projeto. Não há grandes surpresas — e talvez esse seja justamente o ponto.

Para quem entende o jogo da banda, foi uma apresentação consistente, segura e, acima de tudo, fiel a si mesma. No fim, o Lucifer não tentou roubar a cena — mas deixou claro que, mesmo sob o sol do meio-dia, sabe exatamente como moldar a própria escuridão.

Setlist Lucifer no Bangers Open Air 2026:

1. Anubis

2. Crucifix (I Burn for You)

3. Riding Reaper

4. Lucifer

5. Wild Hearses

6. At the Mortuary

7. Slow Dance in a Crypt

8. The Dead Don’t Speak

9. California Son

10. Bring Me His Head

11. Goin’ Blind (KISS cover)

12. Fallen Angel

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  • Formado em Direito pela Puc-Campinas, pós-graduado em Jornalismo. Criador e administrador do perfil @lets.gorock no Instagram. Sempre fui apaixonado pelo Rock. Escrever sobre música é minha forma de compartilhar a energia e a emoção que o rock me proporciona, enquanto mergulho nas histórias fascinantes por trás das músicas e dos artistas que moldaram esse universo. Junte-se a mim nessa jornada onde cada riff é uma história e cada batida é uma experiência inesquecível.

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