Flávio Benelli
Formado em Direito pela Puc-Campinas, pós-graduado em Jornalismo. Criador e administrador do perfil @lets.gorock no Instagram. Sempre fui apaixonado pelo Rock. Escrever sobre música é minha forma de compartilhar a energia e a emoção que o rock me proporciona, enquanto mergulho nas histórias fascinantes por trás das músicas e dos artistas que moldaram esse universo. Junte-se a mim nessa jornada onde cada riff é uma história e cada batida é uma experiência inesquecível.

Pouco antes do meio-dia, o público ainda se acomodava sob um sol pouco convidativo no Memorial da América Latina. Mesmo assim, havia uma curiosidade evidente no ar. Não era só mais uma banda abrindo palco — havia expectativa real em torno do Lucifer. E, considerando o line-up do dia, com nomes como Jinjer, Black Label Society, Arch Enemy e In Flames ainda por vir, a missão de iniciar os trabalhos do SUN STAGE não era exatamente confortável.
Vestidos inteiramente de preto, sem firulas ou excessos visuais, o grupo apostou desde o primeiro segundo em uma estética direta: hard rock setentista filtrado por uma lente ocultista. “Anubis” abriu o set como um ritual — menos explosiva do que calculada, estabelecendo o tom de um show que preferiu construir atmosfera ao invés de correr atrás de impacto imediato.
A vocalista, Johanna Sadonis, única constante na história da banda, domina o palco com uma presença que não depende de movimento. Há algo de deliberadamente contido ali — quase teatral e com um efeito hipnótico — que combina com a proposta sonora.

O palco exibia um simples letreiro com o nome da banda. Nada grandioso, mas funcional.
Musicalmente, o Lucifer entrega exatamente o que promete: riffs simples, pesados, com aquela sujeira clássica dos anos 70, sem cair na caricatura. “Riding Reaper” e “Lucifer” soaram particularmente sólidas, com uma banda de apoio que, apesar de não ter a mesma estabilidade de formação ao longo dos anos, mostrou química e precisão suficientes para sustentar o conceito.

Entre as músicas, a vocalista interagiu com o público de forma curiosa: misturando mistério com provocações mais picantes que flertavam com um humor mais juvenil, quase quinta série — algo ligeiramente deslocado, mas que, ao mesmo tempo, humanizava a enigmática Johanna.
Um dos momentos mais interessantes veio com o cover de “Goin’ Blind”, do Kiss, reinterpretado de forma mais sombria e arrastada. Estética alinhada com a identidade do Lucifer.
Dentro da discografia da banda, o setlist funcionou com hits que reforçam o DNA do projeto. Não há grandes surpresas — e talvez esse seja justamente o ponto.
Para quem entende o jogo da banda, foi uma apresentação consistente, segura e, acima de tudo, fiel a si mesma. No fim, o Lucifer não tentou roubar a cena — mas deixou claro que, mesmo sob o sol do meio-dia, sabe exatamente como moldar a própria escuridão.
Setlist Lucifer no Bangers Open Air 2026:
1. Anubis
2. Crucifix (I Burn for You)
3. Riding Reaper
4. Lucifer
5. Wild Hearses
6. At the Mortuary
7. Slow Dance in a Crypt
8. The Dead Don’t Speak
9. California Son
10. Bring Me His Head
11. Goin’ Blind (KISS cover)
12. Fallen Angel
