Colaborador

Texto por: José Carlos Pimentel (@zedorockoficial)
Se existe uma certeza no rock and roll, é a de que um show do Iron Maiden no Brasil nunca é apenas mais uma data na agenda de uma banda.
É um ritual.
No último domingo, 25 de outubro, tive o privilégio de estar no Nubank Parque, para presenciar a passagem da turnê comemorativa de meio século do grupo, a Run For Your Lives.
E o que se viu ali foi uma verdadeira lição de vitalidade, respeito ao público e amor à própria história.
Em meio ao clima agitado do dia de eleições pelo país, cruzar os portões do estádio foi como entrar em uma dimensão à parte.
O ar exalava aquela expectativa única que só a Donzela de Ferro consegue criar, reunindo gerações de fãs lado a lado — dos veteranos que viram os primeiros passos nos anos 80 até garotos vestindo a camisa do Eddie pela primeira vez.
O aquecimento com o Alter Bridge
A missão de preparar o terreno ficou com o Alter Bridge. Pontuais e sem rodeios, Myles Kennedy e Mark Tremonti entregaram uma performance extremamente redonda. O som pesado e melodioso dos caras encaixou com perfeição, com destaque absoluto para “Blackbird” e “Metalingus”, provando que a escolha do ato de abertura foi tiro certeiro para aquecer os motores da noite.
50 anos de Iron Maiden
Quando as luzes se apagaram e os primeiros acordes do clássico instrumental “The Ides of March” ecoaram, a explosão na arquibancada e na pista foi imediata. A proposta desta turnê é clara e saudosista: resgatar exclusivamente a era de ouro dos nove primeiros discos (1980–1992).
Ver a banda engatar de cara trincas como “Murders in the Rue Morgue”, “Wrathchild” e “Killers” me fez lembrar do motivo pelo qual nos apaixonamos por esse som.
Bruce Dickinson trouxe uma energia absurda para esse repertório da fase Paul Di’Anno, injetando uma garra e uma presença cênica de impressionar qualquer um. Mas o ponto alto da noite, para mim e para boa parte de quem estava ao meu redor, foi a execução de “Infinite Dreams”. Ouvir essa pérola do Seventh Son of a Seventh Son ao vivo — algo raro de turnês — arrepiou.
Aula de palco e peso no instrumental
Impressiona ver como o sexteto (com Simon Dawson assumindo as baquetas com muita competência no lugar do lendário Nicko McBrain) continua jogando em sintonia fina. Steve Harris mantém aquele galope inconfundível no baixo que é a espinha dorsal da banda, enquanto Dave Murray, Adrian Smith e Janick Gers travam duelos de guitarras de encher os olhos e os ouvidos.
A viagem pelos clássicos seguiu avassaladora. Faixas épicas como “Rime of the Ancient Mariner” e “Powerslave” dividiram espaço com a energia direta de “Run to the Hills” e “The Trooper”. Quando o mascote Eddie deu as caras no palco durante a faixa-título “Iron Maiden”, o estádio parecia virar do avesso.
Destaque pra a cenografia e as imagens do telão em todas as músicas
O final apoteótico
No bis, o Maiden guardou a artilharia pesada. A dobradinha com “Aces High” e a catarse coletiva em “Fear of the Dark” — com o estádio inteiro cantando a melodia em plenos pulmões — lembraram por que essa banda é gigante no Brasil. O encerramento com “Wasted Years” veio como um recado direto ao coração: comemorar meio século olhando para o futuro, sem perder o valor do momento presente.
Saí do estádio com a certeza de ter testemunhado um capítulo histórico. O Iron Maiden não vive apenas de glórias passadas; eles sobem ao palco com a garra de quem ainda tem muito a dizer e provar.
Um show memorável, daqueles para guardar na memória por muitos e muitos anos.
Setlist do Show (São Paulo – 25/10/2026)
* The Ides of March / Murders in the Rue Morgue
* Wrathchild
* Killers
* Phantom of the Opera
* The Number of the Beast
* Infinite Dreams
* Powerslave
* 2 Minutes to Midnight
* Rime of the Ancient Mariner
* Run to the Hills
* Seventh Son of a Seventh Son
* The Trooper
* Hallowed Be Thy Name
* Iron Maiden
Bis:
1. Aces High
2. Fear of the Dark
3. Wasted Years
