Flávio Benelli
Formado em Direito pela Puc-Campinas, pós-graduado em Jornalismo. Criador e administrador do perfil @lets.gorock no Instagram. Sempre fui apaixonado pelo Rock. Escrever sobre música é minha forma de compartilhar a energia e a emoção que o rock me proporciona, enquanto mergulho nas histórias fascinantes por trás das músicas e dos artistas que moldaram esse universo. Junte-se a mim nessa jornada onde cada riff é uma história e cada batida é uma experiência inesquecível.

Banda sobe ao palco no dia 5 de junho e apresenta o projeto “Talvez
Tenhamos Tudo”. Lê Almeida (Gritando HC), Renan Samam, Moa Oliveira e Naia
Lima também participarão do registro
A PENSE está prestes a atravessar uma fronteira histórica — e não só para a
própria trajetória. No dia 5 de junho, a banda sobe ao palco da Casa Natura
Musical, em São Paulo, para registrar o audiovisual “Talvez Tenhamos Tudo”.
Um projeto que nasce como manifesto de expansão do hardcore brasileiro para
territórios antes inacessíveis à cena. Mais do que a gravação de um
audiovisual ao vivo, o show será um marco simbólico: a invasão definitiva
de uma banda formada no underground em um dos espaços mais prestigiados da
música nacional. O recado é claro: o hardcore já não cabe apenas nos porões
abafados, nos galpões DIY ou nas casas tradicionais da cena. Agora ele
ocupa teatros, palcos institucionais e novas camadas culturais sem
abandonar a própria essência.
Ao longo de quase duas décadas, a PENSE construiu sua relevância sem
atalhos, sem respaldo de grandes gravadoras e longe das fórmulas do
mainstream. A banda atravessou mudanças de formação, reinvenções estéticas
e a transformação completa do mercado musical até chegar ao momento mais
ambicioso da carreira. Depois do lançamento do último álbum e de uma
extensa sequência de turnês pelo país — de Porto Alegre (RS) a Juazeiro do
Norte (CE) —, o grupo percebeu que era hora de eternizar o novo ciclo. “A
gente entendeu que não era mais só sobre lançar um disco. Era sobre
registrar quem a PENSE se tornou ao vivo, agora, nesse momento. A banda
passou por uma reconstrução muito intensa e hoje sentimos que chegamos num
lugar forte artisticamente”, afirma o vocalista e guitarrista Ítalo Nonato.
O audiovisual também funciona como uma fotografia do atual momento criativo
da banda, cada vez mais aberta a novas texturas sonoras. O peso continua
intacto, mas agora conversa naturalmente com elementos do rap, da música
urbana e até da MPB. Essa mistura estará explícita no palco, nos arranjos
inéditos e nas participações especiais escolhidas para o projeto. Nomes
como Rodrigo Lima (Dead Fish), Teco Martins (Rancore), Gabriel Zander, Lê
Almeida (Gritando HC), Renan Samam, Moa Oliveira e Naia Lima aparecem como
peças fundamentais de uma narrativa que conecta diferentes gerações e
linguagens da música brasileira contemporânea. “O rock sempre conversou com
outras culturas urbanas. A diferença é que agora a gente está deixando isso
visível sem medo nenhum”, resume o guitarrista Daniel Avelar.
A escolha da Casa Natura Musical carrega um peso simbólico ainda maior
justamente por romper uma barreira histórica da cena pesada nacional.
Enquanto artistas da MPB, da música alternativa e do circuito cultural
tradicional ocupam o espaço há anos, bandas de hardcore raramente
atravessaram essas portas. “Tem algo muito forte em imaginar que, algumas
semanas depois de nomes gigantes da música brasileira passarem por aquele
palco, vai ter a PENSE tocando hardcore ali. Isso muda a percepção sobre o
que a nossa cena pode alcançar”, comenta Ítalo Nonato. O sentimento é
compartilhado por Daniel Avelar, que vê o projeto como um divisor de águas
não apenas para a banda, mas para toda uma geração do underground nacional.
Em um momento em que o rock pesado volta a ganhar relevância global —
impulsionado por fenômenos como Turnstile, Bring Me The Horizon e o
crescimento de novas bandas brasileiras —, a PENSE parece surgir como um
dos nomes mais preparados para traduzir essa nova fase no Brasil. Sem
nostalgia vazia, sem repetir fórmulas e sem abandonar o peso emocional que
sempre definiu sua música, a banda transforma “Talvez Tenhamos Tudo” em uma
declaração de permanência. O underground continua sendo a origem, mas
definitivamente já não é mais o limite.
SERVIÇO
PENSE | “Talvez Tenhamos Tudo” (gravação do audiovisual ao vivo)
Data: 05/06/2026 (sexta-feira)
Horários: abertura da casa: 19h30 / início do show: 21h
Local: Casa Natura Musical (Rua Artur de Azevedo, 2134 – Pinheiros, São
Paulo)
Classificação: 18 anos
Ingressos: de R$ 30 a R$ 200, via Sympla
Sobre a PENSE
A PENSE foi formada em Belo Horizonte/MG, em 2007 e é conhecida por suas
letras intensas e mensagens reflexivas, que abordam temas como luta contra
injustiças sociais, autoconhecimento, resistência e motivação pessoal. A
banda combina o peso do hardcore com influências de metal, resultando em
uma sonoridade agressiva e energética, que atrai fãs de diversas vertentes
do rock.
O primeiro álbum, “Espelho da Alma” (2011), logo chamou atenção pela
originalidade e pelo teor emocional das letras. Em 2014, o segundo álbum,
“Além Daquilo que te Cega”, solidificou a posição da PENSE no cenário
nacional, trazendo letras mais diretas sobre temas de empoderamento pessoal
e crítica social.
O terceiro álbum, “Realidade, Vida e Fé” (2018), foi um grande sucesso no
meio underground e ampliou ainda mais o público da banda. Com letras que
abordam questões políticas e existenciais, esse disco mostra uma banda
madura e em sintonia com os problemas sociais contemporâneos.
Após um hiato de seis anos, a banda retorna com o álbum “Tudo Que Temos de
Lembrar” (2024), onde mergulha em temas como saúde mental, amadurecimento e
reconstrução pessoal. Com sonoridade agressiva e ao mesmo tempo sensível, o
trabalho reafirma a identidade da PENSE como uma voz de resistência e
acolhimento dentro da cena brasileira.
No início de 2026, a banda lançou o EP “PENSE | Som No Sebo (Ao Vivo)”, EP
que captura a banda em estado bruto, sem filtros e sem concessões. O
projeto traduz a essência da PENSE: hardcore direto, riffs agressivos,
dinâmicas explosivas e letras que encaram de frente temas como saúde
mental, identidade, existência e transformação social.
A PENSE cresceu no cenário através de uma base fiel de fãs e uma postura
independente, participando de festivais e tocando em diversas cidades pelo
país. Seus shows são conhecidos pela intensidade e pela conexão emocional
com o público, com a banda incentivando frequentemente a participação ativa
e cantos coletivos durante as apresentações.
