Fernanda Tavella

Texto: Fernanda Tavella / Revisão: Flávio Benelli
Se a abertura de um festival serve para ditar o tom do dia, o Jayler não apenas cumpriu a missão no Monsters of Rock 2026, mas elevou o sarrafo a níveis estratosféricos. Escalar o quarteto britânico como a primeira banda do line-up foi a decisão mais acertada da organização; eles entregaram um show com a urgência de quem sabe que o futuro do rock clássico passa por suas mãos. Foi, sem dúvida, um acerto monumental do festival trazer esses caras ao Brasil neste momento.

A influência do Led Zeppelin é nítida, mas rotulá-los apenas como herdeiros seria um erro técnico grosseiro. O que se viu no palco foi uma releitura única: a crueza e o misticismo dos anos 70 fundidos a uma energia contemporânea que não soa como nostalgia, mas como renovação visceral. A banda tem identidade própria, evidente em cada riff e em cada virada de bateria.
A performance individual dos músicos é um espetáculo à parte. O vocalista possui domínio técnico impressionante, com um timbre que remete aos grandes nomes do gênero, mas com uma entrega absolutamente própria. A presença de palco é magnética; eles se movem com a confiança de veteranos, dominando cada centímetro do Allianz Parque. Em termos técnicos, a execução foi impecável, com solos de guitarra carregados de feeling e uma cozinha — baixo e bateria — que formava uma parede de som densa e pesada, sustentando as improvisações.

Eles não apenas abriram o evento; arrasaram, transformando o show inicial em um dos momentos mais comentados e vibrantes de todo o festival. O público brasileiro, exigente, foi conquistado de imediato pela autenticidade e pela técnica do grupo. Fica a sensação clara de que o rock britânico encontrou novo fôlego — e que o Jayler já desponta como um dos guardiões dessa chama.
Setlist Jayler no Monsters of Rock 2026:
1. Down Below
2. The Getaway
3. No Woman
4. Riverboat Queen
5. Lovemaker
6. I Believe to My Soul
7. Need Your Love
8. Over the Mountain
9. The Rinsk
