Flávio Benelli
Formado em Direito pela Puc-Campinas, pós-graduado em Jornalismo. Criador e administrador do perfil @lets.gorock no Instagram. Sempre fui apaixonado pelo Rock. Escrever sobre música é minha forma de compartilhar a energia e a emoção que o rock me proporciona, enquanto mergulho nas histórias fascinantes por trás das músicas e dos artistas que moldaram esse universo. Junte-se a mim nessa jornada onde cada riff é uma história e cada batida é uma experiência inesquecível.

O começo da tarde no Monsters of Rock 2026 tinha aquela sensação curiosa de transição: parte do público ainda se acomodando depois de nomes como Dirty Honey e Yngwie Malmsteen, enquanto outra parcela já se espremia próxima ao palco com expectativa real. Havia um burburinho específico quando o nome Halestorm aparecia nos telões — menos nostalgia, mais curiosidade ativa. Era o tipo de público que não queria apenas cantar hits: queria ser convencido.
Essa expectativa tem contexto. Desde aquela participação marcante no evento de despedida de Black Sabbath e Ozzy Osbourne — especialmente pela escolha em cima da hora de “Perry Mason”, articulada por Tom Morello — Lzzy Hale passou a ocupar um espaço curioso: respeitada pelos veteranos, mas ainda testada ao vivo por plateias grandes. Em São Paulo, ela não tentou provar nada. Apenas fez. E fez bonito!
“Fallen Star” abre o set com uma escolha menos óbvia, quase como um teste de temperatura. A resposta vem rápida quando “Mz. Hyde” e “I Miss the Misery” entram em sequência: o público compra a proposta. No palco, Lzzy não replica a voz de estúdio — ela tensiona, rasga, estica as notas até um limite onde o controle técnico encontra o risco calculado. Os screams, em especial, não são apenas corretos; são agressivos no melhor sentido, com uma projeção que atravessa o Allianz Parque sem depender excessivamente da mixagem.
A banda acompanha com precisão cirúrgica. O irmão, Arejay Hale, transforma o solo de bateria em algo mais performático do que indulgente — há espetáculo, mas também groove.

A guitarra segura o peso das faixas mais diretas como “Love Bites (So Do I)” e “I Get Off” sem soar comprimida, o que diz muito sobre a qualidade do som naquele horário do festival, geralmente ingrato para bandas fora do topo do line-up.
Em um festival que ainda tinha gigantes como Guns N’ Roses e Lynyrd Skynyrd no horizonte, o Halestorm optou por não inflar a produção — e talvez tenha acertado justamente por isso.
O setlist funciona como um resumo honesto da carreira: hits consolidados (“Freak Like Me”), momentos mais densos (“Rain Your Blood on Me”) e “Familiar Taste of Poison”. “Everest” fecha com peso e intenção, quase como uma declaração de fase: a banda parece menos interessada em provar relevância e mais focada em consolidá-la.
No meio de um line-up que equilibra lendas e revival acts, o Halestorm soou perigosamente atual. Não foi apenas uma boa apresentação — foi o tipo de show que reposiciona a banda dentro do próprio festival. Em um dia dominado por nomes históricos, eles tocaram como quem já não precisa pedir espaço — apenas ocupá-lo. Fiquem de olho no Halestorm!
Setlist — Halestorm no Monsters of Rock 2026:
1. Fallen Star
2. Mz. Hyde
3. I Miss the Misery
4. Love Bites (So Do I)
5. Watch Out!6. Like a Woman Can
7. I Get Off
8. Familiar Taste of Poison (trecho)
9. Rain Your Blood on Me
10. Solo de bateria — Arejay Hale
11. Freak Like Me
12. Wicked Ways
13. Everest
