Flávio Benelli
Formado em Direito pela Puc-Campinas, pós-graduado em Jornalismo. Criador e administrador do perfil @lets.gorock no Instagram. Sempre fui apaixonado pelo Rock. Escrever sobre música é minha forma de compartilhar a energia e a emoção que o rock me proporciona, enquanto mergulho nas histórias fascinantes por trás das músicas e dos artistas que moldaram esse universo. Junte-se a mim nessa jornada onde cada riff é uma história e cada batida é uma experiência inesquecível.
Depois de um primeiro dia marcado pelo peso de Meshuggah, pela aguardada estreia do Mudvayne no Brasil e por um Slipknot em grande forma, o domingo (20) tinha uma missão difícil: manter o nível da abertura do Knotfest Brasil 2024. A programação apostou em uma mistura de diferentes vertentes do metal, do nu metal ao industrial, passando pelo metalcore moderno e pelo fenômeno japonês BABYMETAL. O resultado foi um dia bastante diverso, com apresentações que agradaram públicos distintos e culminaram em um encerramento histórico do Slipknot.
Assim como no sábado, a organização manteve a pontualidade e a qualidade sonora como seus principais acertos. O calor do asfalto continuava castigando quem chegou cedo ao Allianz Parque, mas isso não impediu que o público ocupasse gradativamente todos os setores do estádio.
Bandas brasileiras mantiveram a qualidade da programação
O palco secundário voltou a abrir espaço para a cena nacional. Black Pantera foi um dos maiores destaques entre os brasileiros. Diferentemente da edição anterior, desta vez a banda recebeu um horário muito mais favorável, encontrando um público numeroso e bastante participativo.
A apresentação mostrou por que o trio mineiro vem conquistando espaço dentro e fora do Brasil. O discurso afiado, aliado a uma performance intensa, transformou o show em um dos momentos mais fortes da programação nacional.
As demais bandas brasileiras também cumpriram bem seu papel, embora continuassem limitadas pelo curto tempo disponível e pelo palco secundário, que permaneceu sendo um dos pontos mais discutidos do festival.
Seven Hours After Violet surpreendeu ao reunir integrantes do System Of A
Down
Muito da expectativa em torno do novo grupo do baixista do SOAD, Shavo Odadjian. A participação surpresa de John Dolmayan, baterista do System Of A Down foi um dos pontos altos da apresentação. Embora a banda possua identidade própria, ver dois integrantes do SOAD dividindo novamente o palco despertou enorme curiosidade entre os fãs.
O resultado foi uma apresentação bastante sólida, que deixou a sensação de que o projeto pode ganhar ainda mais força nos próximos anos.
P.O.D. entregou exatamente o que seus fãs esperavam
Veteranos do nu metal, os integrantes do P.O.D. apostaram na nostalgia sem parecer presos ao passado.
O repertório privilegiou os grandes sucessos da carreira, fazendo o público cantar praticamente todas as músicas. A banda mostrou enorme entrosamento e confirmou que continua funcionando muito bem ao vivo, mesmo depois de tantos anos de estrada.
Sem reinventar sua fórmula, fez exatamente aquilo que precisava fazer.
BABYMETAL mostrou por que deixou de ser apenas uma curiosidade
Durante muito tempo, muita gente enxergou o BABYMETAL apenas como um
experimento curioso da indústria japonesa.
Hoje essa visão já não faz sentido.
A apresentação no Knotfest Brasil deixou claro que o trio evoluiu musicalmente, amadureceu artisticamente e conquistou um espaço legítimo dentro da cena internacional.
O número de pessoas presentes diante do palco impressionava, mas o que realmente chamou atenção foi a intensidade da plateia. Rodas abriram durante praticamente toda a apresentação, contrariando quem ainda imaginava um público apenas contemplativo.
Misturando coreografias impecavelmente sincronizadas, músicos extremamente
competentes e uma produção muito bem executada, o BABYMETAL protagonizou um
dos shows mais divertidos de todo o festival.
Uma renovação necessária para a nova geração de ouvintes.
Till Lindemann levou teatralidade ao extremo
Se alguém ainda tinha dúvidas de que Till Lindemann consegue sustentar um espetáculo sozinho, o show no Knotfest Brasil tratou de encerrá-las.
O vocalista apresentou um espetáculo carregado de teatralidade, explorando sua conhecida estética provocativa. As imagens nos telões exibiam a palavra “censurado” , só nos restando imaginar o que deveria estar ali ou se não era só uma jogada de marketing.
Visualmente impactante e musicalmente consistente, o show funcionou como uma extensão natural do universo construído por Lindemann ao longo de décadas com o Rammstein.
Bad Omens confirmou seu lugar entre os grandes nomes da nova geração
Se existia alguma dúvida sobre o tamanho alcançado pelo Bad Omens, ela desapareceu completamente no Allianz Parque.
A banda vive o melhor momento de sua carreira e encontrou um público que conhecia praticamente todas as músicas. Noah Sebastian demonstrou absoluto controle vocal durante toda a apresentação, alternando melodias limpas e vocais agressivos com enorme naturalidade.
Ao vivo, o grupo confirma por que se tornou um dos principais representantes da nova geração do metal moderno.
Não parece mais uma promessa. Já é uma realidade!
Slipknot encerrou o festival com uma homenagem às próprias origens
Depois de um grande show no sábado, o Slipknot conseguiu tornar o encerramento do Knotfest Brasil ainda mais especial.
Desta vez, a banda executou na íntegra o álbum de estreia, Slipknot (1999), celebrando os 25 anos do disco que redefiniu os rumos do metal moderno e apresentou ao mundo uma das formações mais impactantes da história do gênero.
A proposta da turnê ficou ainda mais evidente no segundo dia. A produção enxuta, inspirada nos primeiros anos da banda, abandonou o excesso de efeitos especiais para concentrar toda a atenção na música.
Faixas como “(sic)”, “Eyeless”, “Wait and Bleed”, “Surfacing” e “Scissors” foram executadas em sequência, recriando praticamente toda a experiência do disco lançado em 1999. Para muitos fãs, foi a primeira oportunidade de ouvir esse repertório completo ao vivo.
Corey Taylor mostrou que é um dos melhores vocalistas dessa geração durante toda a apresentação, enquanto Jim Root, Mick Thomson, Sid Wilson e os demais integrantes reproduziram com enorme fidelidade a agressividade daquele período inicial.
Mais uma vez, Eloy Casagrande foi um dos nomes mais celebrados da noite com o publico gritando seu nome a todo momento. Sua precisão técnica impressionou até mesmo nas composições mais caóticas do álbum de estreia, demonstrando que sua adaptação ao Slipknot aconteceu de maneira extremamente natural.
Ao optar por executar seu primeiro disco completo, a banda transformou o encerramento do Knotfest em muito mais do que um show.
Foi uma celebração de sua própria história.
Um encerramento à altura do festival
O segundo dia manteve o alto nível apresentado desde a abertura do evento. Black Pantera confirmou seu crescimento, P.O.D. entregou nostalgia na medida certa, BABYMETAL conquistou até os mais céticos, Till Lindemann apresentou um dos espetáculos visuais mais ousados do festival e o Bad Omens consolidou seu status entre os principais nomes da nova geração do metal.
No encerramento, o Slipknot ofereceu aos fãs uma experiência que dificilmente será esquecida. Ao tocar seu álbum de estreia na íntegra, a banda não apenas revisitou suas origens, mas lembrou por que aquele disco continua sendo uma das obras mais influentes da história do metal contemporâneo.
Mais do que fechar um festival, o Slipknot encerrou o Knotfest Brasil 2024 reafirmando que poucas bandas conseguem celebrar o próprio passado sem parecer viver apenas dele.

