Flávio Benelli
Formado em Direito pela Puc-Campinas, pós-graduado em Jornalismo. Criador e administrador do perfil @lets.gorock no Instagram. Sempre fui apaixonado pelo Rock. Escrever sobre música é minha forma de compartilhar a energia e a emoção que o rock me proporciona, enquanto mergulho nas histórias fascinantes por trás das músicas e dos artistas que moldaram esse universo. Junte-se a mim nessa jornada onde cada riff é uma história e cada batida é uma experiência inesquecível.

Sábado quente. Como todo ano no Bangers. Entre um público já calibrado por Black Label Society e Killswitch Engage, o In Flames entrou com aquele tipo de confiança que não pede licença — ocupa.Havia um pequeno elefante na sala: dois dias antes, eles já tinham passado por São Paulo com um setlist que se provou igual ao executado no Bangers. Em tese, isso esvaziaria o fator surpresa. Na prática, o que se viu foi o oposto.

O som estava alto. Bem alto. Não aquele alto embolado de festival, mas um volume que pressionava o peito e deixava as guitarras com arestas. Funcionou! Anders Fridén, que há anos equilibra carisma e um certo distanciamento calculado, estava mais comunicativo do que o habitual. Conversou, provocou, conduziu. O momento em que ele pede silêncio antes de “Only for the Weak” poderia facilmente cair no clichê do frontman controlando a massa — mas ali teve outro peso. O silêncio veio meio truncado, com gente ainda gritando, alguém rindo no fundo, e quando a música entrou, entrou com mais impacto justamente por essa imperfeição. Não foi coreografado. Foi conquistado.

O bloco central do show apostou no contraste entre o passado melódico e a fase mais moderna da banda. “Cloud Connected” e “Trigger” soaram menos nostálgicas e mais como pontes — como se a banda estivesse dizendo que não há ruptura, só evolução. Já “State of Slow Decay” e “Meet Your Maker” vieram com peso suficiente para justificar sua presença sem depender de saudosismo.
Quando Fridén pediu um circle pit antes de “The Mirror’s Truth”, não foi um pedido tímido. Foi quase uma ordem. E foi atendido com gosto e sem esforço por parte dos headbangers presentes — inclusive com um sinalizador aceso no meio da roda, um detalhe que transformou a cena em algo ligeiramente caótico.
O encerramento veio com aquela sensação de dever cumprido, mas sem a grandiosidade inflada que muitas bandas buscam a qualquer custo. Foi direto, eficiente e, acima de tudo, honesto com a própria trajetória. Em um dia que ainda teria Arch Enemy fechando a noite, o In Flames fez algo mais difícil do que simplesmente aquecer o público: estabeleceu um padrão. Um alto padrão!
Setlist In Flames no Bangers Open Air
1. Pinball Map
2. The Great Deceiver
3. Deliver Us
4. The Quiet Place
5. In the Dark
6. Voices
7. Cloud Connected
8. Trigger
9. Only for the Weak
10. Meet Your Maker
11. State of Slow Decay
12. Alias
13. The Mirror’s Truth
14. I Am Above
15. Take This Life
