Fernanda Tavella

O show do Extreme no Monsters of Rock 2026, que veio na sequência de boas apresentações de Jayler, Dirty Honey e Malmsteen, foi, sem sombra de dúvidas, uma aula magistral de como o hard rock deve ser executado em um estádio. O que vimos no Allianz Parque foi um equilíbrio cirúrgico entre virtuosismo técnico e puro entretenimento, provando que o quarteto segue como uma das engrenagens mais bem ajustadas do gênero.
A dinâmica de palco impressiona, mas o grande segredo daquela sonoridade gigante está na chamada “cozinha” da banda. O entrosamento entre Pat Badger (baixo) e Kevin Figueiredo (bateria) foi o alicerce absoluto da apresentação. Tecnicamente, a precisão dos dois foi absurda: o baixo de Badger não apenas preenchia as frequências graves, como se encaixava com o bumbo de Figueiredo em um uníssono rítmico que dava um peso impressionante às músicas. É essa base sólida que faz a banda soar como um rolo compressor, mantendo o groove intacto até nas passagens mais complexas e sincopadas. Sem isso, os solos e as firulas simplesmente não teriam onde se apoiar.

Gary Cherone segue sendo um frontman excepcional. Sua performance vocal foi impecável, sustentando notas altas com clareza e exibindo uma presença física que domina o palco. E, claro, falar de Extreme é falar da arquitetura sonora de Nuno Bettencourt. Ele é um mestre na articulação: a nitidez das notas, mesmo em altíssima velocidade, e o uso sofisticado de técnicas como o percussive slapping no violão em “Midnight Express”, além do solo marcante de “Rise”, que fechou a apresentação, deixaram qualquer fã de guitarra impressionado.
Era um dos shows mais esperados do dia e nem o clima deu trégua. A chuva não perdoou durante a apresentação do Extreme, caindo justamente enquanto a banda estava no palco. Ainda assim, o público deu uma resposta à altura: ninguém arredou o pé. Pelo contrário, a empolgação só aumentou, provando que o rock ignora qualquer previsão do tempo. O setlist atingiu seu ápice emocional em “More Than Words”, quando o estádio virou um grande coro, uma só voz ecoando pelo Allianz. Foi um momento daqueles que arrepiam.
Para mim, foi uma viagem direta à adolescência. Ver esses caras com tanta energia trouxe uma carga nostálgica enorme, mas também reforçou que o Extreme não vive só do passado. É uma banda que se sustenta por uma competência técnica que pouquíssimos nomes conseguem alcançar hoje. Saí de lá com a alma leve e com a certeza de ter presenciado um dos momentos mais fortes e memoráveis do festival. E ainda tinha mais por vir com Lynyrd Skynyrd e as estrelas da noite Guns N’ Roses.
Setlist Extreme no Monsters of Rock 2026:
1. It (‘s a Monster)
2. Decadence Dance
3. #REBEL
4. Play With Me
5. Am I Ever Gonna Change
6. Thicker Than Blood
7. Hole Hearted
8. Midnight Express
9. Flight of the Wounded Bumblebee
10. More Than Words
11. Get the Funk Out
12. Rise
