Flávio Benelli
Formado em Direito pela Puc-Campinas, pós-graduado em Jornalismo. Criador e administrador do perfil @lets.gorock no Instagram. Sempre fui apaixonado pelo Rock. Escrever sobre música é minha forma de compartilhar a energia e a emoção que o rock me proporciona, enquanto mergulho nas histórias fascinantes por trás das músicas e dos artistas que moldaram esse universo. Junte-se a mim nessa jornada onde cada riff é uma história e cada batida é uma experiência inesquecível.

Há algo de curioso na trajetória do Dirty Honey: uma banda que surgiu sob comparações inevitáveis com gigantes do hard rock clássico, mas que, aos poucos, vem ajustando sua própria assinatura dentro desse território. No Monsters of Rock 2026, o grupo encontrou um cenário desafiador — e, ao mesmo tempo, ideal para provar sua relevância.
Pontualmente às 12h30, sob um calor inclemente no Allianz Parque, a banda subiu ao palco logo após o Jayler. O público ainda se acomodava, mais curioso do que propriamente engajado, mas apesar da apresentação enérgica da banda anterior. Era aquele momento típico de festival em que a atenção está dividida entre o palco e a logística — cerveja, sombra, deslocamento. A expectativa antes da primeira nota era contida, quase analítica.
A abertura com “Gypsy” foi uma escolha inteligente: menos óbvia, mais cadenciada, funcionando como aquecimento tanto para a banda quanto para quem assistia. Na sequência, “California Dreamin’” e “Heartbreaker” começaram a estabelecer o terreno mais familiar, com riffs diretos e um groove que dialoga claramente com o hard rock setentista, mas sem soar como simples reprodução.
A presença de palco se mostrou um dos grandes trunfos. Há uma confiança evidente na forma como ocupam o espaço — especialmente por parte de Marc LaBelle, que evita exageros performáticos e aposta mais em controle e entrega. Esse domínio ficou evidente em “The Wire” e ganhou força total em “Don’t Put Out the Fire”, quando o vocalista desceu para a grade e cantou em meio aos fãs. Não foi apenas um gesto protocolar: havia uma conexão real ali, especialmente considerando o horário ainda ingrato do line-up do festival.
A reta final foi decisiva. “When I’m Gone” cumpriu seu papel como um dos momentos mais reconhecíveis do repertório, enquanto “Rolling 7s”, posicionada como encerramento, trouxe um fechamento mais energético e direto, deixando uma impressão mais contundente do que o início do show sugeria.

No contexto atual da carreira, o setlist funcionou como um panorama honesto da discografia da banda: sem riscos, mas também sem concessões. O Dirty Honey ainda não rompe completamente com suas influências mais evidentes, mas demonstra evolução consistente e, sobretudo, segurança no que entrega.
Fora do palco, a banda reforçou essa imagem ao circular entre o público durante o show do Guns N’ Roses, tirando fotos e se misturando sem qualquer distanciamento artificial — um contraste interessante com o tipo de som que produzem.
No fim, o Dirty Honey transformou um horário desfavorável em uma vitrine eficiente: não reinventou o gênero, mas deixou claro que sabe exatamente como se sustentar dentro dele — e isso, em um festival dominado por nomes históricos, já é mais do que suficiente para marcar território.

Setlist – Dirty Honey no Monsters of Rock 2026:
1. Gypsy
2. California Dreamin’
3. Heartbreaker
4. The Wire
5. Don’t Put Out the Fire
6. Another Last Time
7. Lights Out
8. When I’m Gone
9. Rolling 7s
