Flávio Benelli
Formado em Direito pela Puc-Campinas, pós-graduado em Jornalismo. Criador e administrador do perfil @lets.gorock no Instagram. Sempre fui apaixonado pelo Rock. Escrever sobre música é minha forma de compartilhar a energia e a emoção que o rock me proporciona, enquanto mergulho nas histórias fascinantes por trás das músicas e dos artistas que moldaram esse universo. Junte-se a mim nessa jornada onde cada riff é uma história e cada batida é uma experiência inesquecível.

Dizem por aí que a Fundação Cacique Cobra Coral lavou as mãos para os apelos dos súditos de Gerard Way. A mística era clara: os fãs imploraram pelo sol, mas o céu de São Paulo ameaçou o tempo todo. No fim das contas, a natureza parece ter mais respeito pelo Rock do que supõe nossa vã filosofia. A chuva, que prometia um batismo de água no Allianz Parque neste 05 de fevereiro, limitou-se a poucas gotas que nem podemos chamar de chuvisco e também não foi o suficiente para deixar a maquiagem borrada da plateia.
Antes do prato principal, o The Hives deu uma aula de como se faz um show de abertura. Pelle Almqvist é um dínamo humano. Os suecos entregaram um set carregado de voltagem pura, fazendo o estádio inteiro pular como se não houvesse amanhã. Pelle a todo momento interagia com o público em português, e mostrando seu peito com poucos cabelos, e o homem é um frontman de respeito e sabe contagiar. Foi o aquecimento ideal: suor, distorção e aquele carisma charmoso que só quem sabe tocar rock n’ roll de verdade possui: a eletricidade ali era palpável.
O Teatro Macabro ganha vida
Quando o My Chemical Romance pisou no palco, ficou claro que não estávamos ali apenas para um show, mas para uma encenação. A sequência inicial foi um soco no estômago dos saudosistas do The Black Parade. Abrir com “The End.” e emendar “Dead!” é um movimento de mestre para instaurar o caos controlado.
O diferencial do show, além das performances, é claro, é o teatro macabro que preenche os vácuos entre as canções. Enquanto a banda ajustava o tom, atores encenavam pequenas peças perturbadoras no palco, mantendo a imersão na estética fúnebre e vitoriana que o grupo carrega. É o MCR abraçando seu lado mais Alice Cooper, sem medo do ridículo e com total domínio da narrativa.
Entre as performances, os hits
A metade do show foi uma montanha-russa emocional. “Welcome to the Black Parade” veio cedo, transformando o estádio em um coral de hino nacional de uma geração inteira. Mas foram momentos como “Mama” e a densidade de “Sleep” que mostraram o amadurecimento técnico do grupo. A cozinha de baixo e bateria está mais pesada do que nunca, segurando a parede sonora para que Gerard Way desfilasse sua performance vocal, que alterna entre o desespero e a maestria teatral.
O público era um espetáculo à parte. Ver aquela massa de jovens — muitos que mal tinham nascido quando Three Cheers for Sweet Revenge saiu — prova que o Emo não morreu, apenas se renovou e se tornou o novo clássico.
Pirotecnia e Adoração
A pirotecnia não estava lá só para fazer bonito. O calor das chamas no palco chegava no rosto da galera da grade, aquecendo ainda mais os ânimos de quem não parava de gritar “gostoso” para o vocalista Gerard rs.
O Grand Finale
A reta final foi um massacre de hits. De “Na Na Na” até o hino supremo da autodestruição assistida, “I’m Not Okay”, ninguém ficou parado. O encerramento com “Helena” foi o fecho de ouro necessário. Ali, o Allianz parecia um grande funeral festivo.
Saí do estádio com a certeza de que o público, uma renovação geracional impressionante, exalava uma urgência que há muito eu não sentia. Entre a empolgação e a ansiedade juvenil, a certeza era uma só: o My Chemical Romance não veio para cumprir tabela. Eles são, hoje, uma entidade do rock performático. Quem esperava apenas nostalgia, encontrou uma banda no auge de sua forma.
Setlist – My Chemical Romance 05 de fevereiro (São Paulo)
1. The End.
2. Dead!
3. This Is How I Disappear
4. The Sharpest Lives
5. Welcome to the Black Parade
6.I Don’t Love You
7. House of Wolves
8. Cancer
9. Mama
10. Sleep
11.Teenagers
12. Disenchanted
13. Famous Last Words
14. The End
15. Na NA Na
16. Skylines and Turnstiles
17. Heaven Help Us
18. The World Is Ugly19. Hang ’Em High
20. I’m Not Okay
21. Thank You for the Venom
22.Cemetery Drive
23. Headfirst for Halos
24. Helena
Setlist – The Hives 05 de fevereiro (São Paulo)
1. Enough Is Enough
2. Main Offender
3. Born a Rebel
4. Paint a Picture
5. Bogus Operandi
6. Hate to Say I Told You So
7. Countdown to Shutdown
8. Legalize Living
9. Come On!
10. Tick Tick Boom
11. The Hives Forever Forever The Hives
