Nanda Moura fala à Let’s Go Rock sobre “LOUCA”: um grito contra a caretice e a anestesia emocional dos tempos atuais

Flávio Benelli

Formado em Direito pela Puc-Campinas, pós-graduado em Jornalismo. Criador e administrador do perfil @lets.gorock no Instagram. Sempre fui apaixonado pelo Rock. Escrever sobre música é minha forma de compartilhar a energia e a emoção que o rock me proporciona, enquanto mergulho nas histórias fascinantes por trás das músicas e dos artistas que moldaram esse universo. Junte-se a mim nessa jornada onde cada riff é uma história e cada batida é uma experiência inesquecível.

Crédito da foto: Pedro Marques

Considerada uma das vozes mais marcantes do blues contemporâneo brasileiro, Nanda Moura segue desafiando rótulos e padrões. Cantora e guitarrista com presença de palco magnética, Nanda já conquistou público e crítica dentro e fora do país, acumulando elogios em festivais como o Best of Blues e nas páginas da Rolling Stone Brasil, além de publicações da França e da Grécia.Agora, a artista lança “LOUCA”, seu novo single — um verdadeiro grito em forma de canção contra a caretice e a anestesia emocional dos tempos atuais. Produzida por Apollo Nove e coproduzida por Nasi, a faixa reafirma o poder criativo e a ousadia que fazem de Nanda Moura uma das artistas mais autênticas da cena nacional.

Em entrevista exclusiva à Let’s Go Rock, Nanda falou sobre o processo criativo de “LOUCA”, as parcerias que moldaram a nova fase de sua carreira e o papel da arte em tempos em que sentir — e se permitir — é um ato de resistência.

Let’s Go Rock : Você vem sendo celebrada fora do Brasil, com elogios de veículos como o jornal francês que a chamou de “uma descoberta deslumbrante” e da revista grega Keep The Blues Alive, que a definiu como “hipnotizante”. Como você recebe esse reconhecimento internacional e o que ele representa para a sua trajetória?

Nanda Moura :Eu fico muito feliz e grata com esse reconhecimento, principalmente vindo de lugares onde o Blues tem uma história tão profunda. É bonito ver que minha música atravessa essas fronteiras e chega nas pessoas de um jeito verdadeiro. Eu nunca quis seguir fórmulas. Sempre busquei cantar o que eu realmente me identifico, com intensidade e verdade. Ser acolhida dessa forma no exterior reforça como o Blues é universal, e que a emoção não precisa de tradução.

Let’s Go Rock: O Blues, muitas vezes, é visto como um gênero de nicho no Brasil. Na sua opinião, o que ainda impede que ele tenha um espaço maior na cena musical brasileira?

Nanda Moura: Acredito que falta difusão e contexto. O Blues é a base de praticamente tudo o que ouvimos hoje, do rock ao soul, do pop ao funk, mas, aqui, ainda é pouco compreendido como linguagem. No Brasil, o público conhece o som, mas nem sempre associa à origem. O Blues é um estilo universal, e, absolutamente, pode conversar com a nossa cultura sem perder a essência. Quando as pessoas entendem isso, é possível se conectarem de um jeito mais profundo.

Let’s Go Rock : Seu novo single, “LOUCA”, é descrito como um manifesto contra a caretice e a anestesia emocional. Em que momento pessoal e artístico você sentiu que precisava lançar essa mensagem agora?

Nanda Moura :“Louca” nasceu de uma inquietação que vinha crescendo em mim há um tempo. A gente vive uma era em que tudo parece muito calculado, filtrado, controlado, e isso acaba matando a espontaneidade, a verdade das emoções. Eu quis fazer uma música que fosse um grito, uma provocação. É sobre não ter que se preocupar em caber nos moldes, ser autêntico, deixar a nossa loucura ganhar um pouco de espaço. E esse momento da minha carreira tem muito dessa busca: liberdade, correr risco e ser verdadeira no que eu faço.

Let’s Go Rock : A faixa conta com a produção de Apollo Nove e co-produção de Nasi. Vale lembrar que recentemente você também participou de uma nova versão de “O Caveira”, clássico eternizado na voz de Martinho da Vila, agora dividindo os vocais com Nasi. Como foi esse processo criativo ao lado dessas lendas do Rock nacional e o que essa parceria trouxe de diferente para o seu som em “LOUCA”?

Nanda Moura : Foi uma troca muito rica. O Apollo é um cara muito antenado e criativo e de muita sensibilidade pra entender o que a gente quer expressar. Ele soube captar bem a atmosfera que eu queria em “Louca”.O Nasi é o meu ‘Padrino’ querido, ele é visceral, direto, e tem esse olhar rock’n’roll cru, que eu gosto e me identifico. Fazer esse som com eles foi como acender dois lados diferentes da mesma chama. “O Caveira” foi um encontro potente, e “Louca” foi uma extensão natural dessa parceria.

Let’s Go Rock : Você transita com naturalidade entre o Blues Tradicional e o Rock visceral. O que mais te inspira nessas duas vertentes e como equilibra a tradição do Blues com a urgência e a energia do Rock?

Nanda Moura : O Blues é a raiz, é onde tudo começa. O Rock é o grito que nasce dessa raiz. Pra mim, eles são parte da mesma árvore.No Blues, eu vejo a profundidade, a alma, a verdade. No Rock, eu vejo a força, o impulso, a rebeldia. O equilíbrio é deixar os dois falarem juntos, sem hierarquia. Eu tento respeitar a tradição, mas também trazer o meu tempo, o meu corpo e, porque não, o meu caos particular pra dentro da música.

Crédito da foto: Pedro Marques

Let’s Go Rock : A performance ao vivo é um ponto forte da sua carreira. O que o público pode esperar dos seus próximos shows, projetos futuros e de como “LOUCA” será levada para o palco?

Nanda Moura : Nos shows, “Louca” ganha outra dimensão. Ela é provocação, é energia, é entrega. Ao vivo, é uma pedrada. Intensa, sem disfarce. Eu adoro o palco, me divirto demais, e com isso sei que passo uma energia boa pro público. Meu show é uma experiência não só sonora, mas também visual e emocional. Tenho mais algumas músicas em português no forno, outras canções com essa mesma essência, que exploram e trazem elementos contemporâneos ao Blues. “Louca” é a segunda música (“Chega!” é a primeira) do álbum “Deglutir, Digerir e Devolver”, que sairá aos poucos, nos próximos meses.

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  • Formado em Direito pela Puc-Campinas, pós-graduado em Jornalismo. Criador e administrador do perfil @lets.gorock no Instagram. Sempre fui apaixonado pelo Rock. Escrever sobre música é minha forma de compartilhar a energia e a emoção que o rock me proporciona, enquanto mergulho nas histórias fascinantes por trás das músicas e dos artistas que moldaram esse universo. Junte-se a mim nessa jornada onde cada riff é uma história e cada batida é uma experiência inesquecível.

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